Terremotos, tsunamis, vulcões, furacões, movimentos de massa, enchentes, geadas, secas… Você já deve ter lido alguma notícia sobre um desses eventos, que normalmente são acompanhados de destruição e mortes. Essas são algumas das tipologias de desastres naturais mais comuns. Então… o que exatamente são os desastres?
Ainda não há consenso quanto a melhor forma de coletar dados de desastres ou de como classificá-los. A complexidade de informação, além do grau de confiabilidade da mesma, dificultam uma padronização de definições, metodologias, ferramentas e fontes de dados.
Sendo assim, a definição de desastre é debatida por diversos autores e entidades globais. Vamos descobrir um pouco mais sobre algumas delas.
Escritório das Nações Unidas para Redução do Risco de Desastres (UNISDR)
Essa entidade foi criada pela Organização das Nações Unidas devido ao aumento do número de pessoas afetadas por desastres naturais, havendo a necessidade de criar soluções para desenvolver cidades resilientes e iniciativas de redução e prevenção de desastres.
Desde 2010, a UNISDR atua promovendo a conscientização da necessidade de implementar medidas de redução do risco de desastres no mundo.
Para essa instituição, o desastre é definido como:
“A grave interrupção do funcionamento de uma comunidade ou sociedade de qualquer escala devido a eventos perigosos que afetam condições de exposição, vulnerabilidade e capacidade, levando a um ou mais dos seguintes: perdas e impactos humanos, materiais, econômicos e ambientais. O evento do desastre pode ser imediato ou localizado, porém normalmente se espalha e pode durar longos períodos de tempo. O efeito pode testar ou exceder a capacidade de uma comunidade ou sociedade de lidar com os impactos utilizando recursos próprios, de maneira a requerer assistência de fontes externas, como jurisdições vizinhas ou a nível nacional e internacional.”
Banco de Internacional de Dados de Desastres (EM-DAT)
O EM-DAT faz parte do Centro de Pesquisa em Epistemologia de Desastre (CRED), da Universidade Católica de Louvain (Bélgica). O grupo coleta e analisa dados governamentais e de agências responsáveis pelo auxílio e reconstrução de locais afetados por desastres. A definição dada por essa instituição para desastre é:
“Situação ou evento, que sobrecarrega a capacidade local, necessitando de um pedido a nível nacional ou internacional para assistência externa; Um evento imprevisto e muitas vezes súbito que causa grandes danos, destruição e sofrimento humano. Embora muitas vezes causados pela natureza, os desastres podem ter origens humanas.”
Para ser considerado um evento de desastre e incluso na base da dados do EM-DAT, o evento deve ter registro de 10 ou mais óbitos, ou 100 ou mais pessoas afetadas, machucadas ou desabrigadas ou, ainda, apresentar declaração de estado de emergência e/ou pedido de ajuda internacional.
NatCastService
Essa base de dados pertence ao grupo alemão Munich Re, uma grande companhia de resseguro. Em seu glossário, é possível encontrar a definição de evento de catástrofe natural como:
“Forças naturais extremas que causam perda humana e/ou econômica de escala considerável e que causam interrupções nas sociedades. Pode ser local, regional ou escala global”
Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres
Atuando no cenário nacional, o órgão tem como objetivo monitoramento e previsões hidrometeorológicas e geodinâmicas, além de promover desenvolvimentos científicos, tecnológicos e inovadores para avançar na qualidade e confiabilidade dos alertas, e na prevenção e mitigação desses desastres. A definição dada para desastre é:
“Quando ocorre uma séria interrupção do funcionamento de uma comunidade causando mortes e/ou importantes perdas materiais ou ambientais, as quais excedem a capacidade da comunidade afetada de lidar com a situação.”
Glossário da Defesa Civil
Com coordenação de Antônio Luiz Coimbra de Castro, o Glossário traz a definição de desastre como:
“Resultado de eventos adversos, naturais ou provocados pelo homem, sobre um ecossistema (vulnerável), causando danos humanos, materiais e/ou ambientais e consequentes prejuízos econômicos e sociais. Os desastres são quantificados, em função dos danos e prejuízos, em termos de intensidade, enquanto que os eventos adversos são quantificados em termos de magnitude. A intensidade de um desastre depende da interação entre a magnitude do evento adverso e o grau de vulnerabilidade do sistema receptor afetado. Normalmente o fator preponderante para a intensificação de um desastre é o grau de vulnerabilidade do sistema receptor.”
Natural x Socioambiental
O conceito de desastre socioambiental, o qual começa a tomar mais força no meio científico, parte da noção de que os fenômenos naturais são parte da dinâmica natural da Terra e, sozinhos, não são capazes de gerar impactos e danos, sendo considerados apenas eventos naturais. Contudo, quando existe a presença de ocupações humanas na região afetada e estas são atingidas, causando prejuízos e perdas financeiras e humanas, ou seja, a ocorrência de um desastre. Assim, os desastres naturais são função do ajustamento humano ao meio, uma vez que envolvem a iniciativa e decisão humana de ocupar locais de risco, entendendo-se, por esse motivo, que esses desastres são socialmente construídos. Os resultados dos fenômenos naturais não seriam tão catastróficos se a população não fosse induzida a ocupar áreas de risco, as quais deveriam ser preservadas (MARCELINO, 2007; SIEBERT, 2012; MONTEIRO, 1981 apud GUERRA e CUNHA, 2001). Se o fenômeno não provoca danos ou não atinge áreas ocupadas será considerado, então, um evento natural.
Leia também
O aumento da ocorrência de desastres