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Dicas para Interpretar Dados

Num mundo com tanta informação e velocidade, os dados aparecerem como forma de sustentar ideias e compreender o mundo.

Contudo, mesmo os dados estão propensos a fornecer informações equivocadas ou incompletas, dependendo de como são apresentados e de como olhamos para eles.

Para evitar essas situações, nos últimos anos, diversos pesquisadores trouxeram à luz, técnicas e conceitos para evitar que sejamos enganados pelos dados.

Neste post, traremos algumas das dicas para interpretar dados feitas no livro Factfulness.

Médias

O uso de médias é uma opção quando queremos ter uma noção de geral de algum tópico, ou para realizar comparações ao longo do tempo ou entre grupos.

Entretanto, as médias escondem uma dispersão de valores em um único número. Ao comparar duas médias podemos acabar por focar na lacuna entre 2 valores e ignorar todos os demais valores que se sobrepõe entre os dois períodos ou grupos estudados.

Assim, para interpretar os dados, podemos acabar por enxergar separações que, na realidade, não existem, uma vez que os valores estão espalhados ao longo de um eixo. Nesses casos, ao invés de avaliar médias, pode ser mais interessante criar um gráfico de dispersão, uma vez que não há clara separação entre grupos.

Comparação entre extremos

Comparar máximos e mínimos, assim como comparar médias, pode ser ideal em alguns casos… mas nem sempre.

Comparar pontos extremos pode nos passar a sensação de injustiça e diferenças muito grandes – e isso é mesmo verdade.

Contudo, para interpretar bem os dados, é preciso compreender o que existe entre os extremos. Como os dados estão dispersos entre esses dois pontos?

A maior parte dos valores está bem distribuída entre o máximo e mínimo? Existe alguma concentração em algum valor?




Referências

Um número isolado não nos fornece tanta informação assim. Seria ele muito grande ou muito pequeno? Aumentando ou diminuindo? Ou até mesmo estagnado? Qual a tendência de outros elementos semelhantes?

Assim como em um exame de sangue temos valores de referência para entender o resultado, é importante avaliar os dados em relação a algo.

Outra dica para interpretar dados é dividir o número por alguma outra referência. Talvez uma taxa anual, per capta, diária… Um só número dificilmente irá explicar tudo.

Generalizações

Quando realizamos comparações, antes de chegar à sua conclusão final, busque diferenças dentro e entre os grupos analisados.

Será possível dividir os grupos em ainda grupos menores e com características diferentes?

Se entre os grupos os valores são semelhantes, será que as categorias criadas são realmente relevantes?

Entenda se realmente os grupos se assemelham, ou se há algo entre eles que, apesar de parecer os unir, na realidade os separa. Um exemplo é sobre a orientação de bebês não dormirem de bruços. Essa concepção surgiu originalmente após a observação de soldados inconscientes que vinham a óbito ao se sufocarem com vômitos quando estavam deitados de costas. Assim, a recomendação seguiu-se para evitar que o mesmo acontecesse com bebês. O que se descobriu, depois, é que os bebês, por reflexo, conseguiam se virar quando deitados de costas, mas nem sempre tinham a força o suficiente para virar as cabeças quando de bruços. Assim, grupos que inicialmente pareciam ter muito em comum, na verdade não o tinham. As recomendações de um grupo não se aplicam para o outro.

Atualize seu conhecimento

Colecione exemplos de mudança cultural. O pensamento dos nossos avós pouco se assemelha ao nosso, e isso pode ser crucial para entender o comportamento das pessoas e consequente resultado dos dados.

Ainda, quando algum dado parecer estranho, seja curioso e humilde. Um exemplo são as construções pela metade que vemos em locais mais pobres. Aparentemente, não faz sentido construir uma casa pela metade, mas quando entendemos que o aumento rápido da inflação e falta de segurança são questões chave nesses locais, a estratégias faz sentido.




80/20

A Lei de Pareto dita que, para muitos eventos, aproximadamente 80% dos efeitos vêm de 20% das causas.

Uma forma de identificar possíveis incongruências é identificar os 20% que mais impactar algo. Por exemplo, ao avaliar orçamentos, busque os artigos que compõe os maiores 20% dos gastos. Estes, provavelmente, serão o melhor início para buscar incongruências.

Por fim, lembre-se que, para interpretar dados, quando dizemos “maioria”, podemos nos referir a um valor que varia de 51 a 99%. E isso faz toda a diferença.

Perspectivas Únicas

Por vezes, quando gostamos de uma ferramenta ou somo especialistas em determinado assunto, buscamos utilizar os mesmos conhecimentos com frequência excessiva. Nem toda ferramenta serve para tudo.

Abra a sua mente, e use a sua caixa de ferramentas, explore outros conceitos.

Urgência

Muitas vezes precisamos tomar ações rápidas baseadas nos dados que temos. Algumas situações são sensíveis ao tempo e não se pode esperar ou haverá grandes impactos.

Nesses momentos, mais do que nunca, deve-se tomar cuidado com ações drásticas e avaliar o impacto secundário das mesmas.

Tente entender os possíveis cenários, a melhor e a pior previsão. E, especialmente, se atente ao acerto das previsões anteriores.

Isso também inclui avaliar se os dados são relevantes e imprecisos ou relevantes e precisos.




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