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O aumento da ocorrência de desastres

O registro de ocorrência de desastres tem aumentado consideravelmente com o passar das décadas. É possível comparar os acontecimentos dos anos de 1900 até o ano atual através de bases de dados mundiais e notar o aumento da ocorrência de desastres principalmente a partir da década de 80, quando instituições como o Centro de Pesquisa em Epidemiologia de Desastres (CRED), Munich Re e a Agência Americana de Desenvolvimento Internacional passaram a participar ativamente do estudo e análise de desastres, possibilitando criar um histórico mais completo e confiável da ocorrência desses fenômenos.

 Sendo assim, uma das razões pelo aumento de relatos de ocorrências de desastres é devido à maior facilidade do compartilhamento de informações e interesse pela criação de bancos de dados de desastres,por exemplo, por companhias de seguro e instituições que visam a redução de riscos de desastres.

É interessante ressaltar, ainda, que durante essa transição a população mundial dobrou de tamanho e apresentou uma maior tendência a migrar de áreas rurais, eventualmente com poucos recursos financeiros, para buscar oportunidades nas áreas urbanizadas, muitas vezes de forma desordenada e caótica, assentando moradias em locais pouco apropriados, porém mais acessíveis economicamente. O aumento da população em áreas urbanas acarretou em ocupações cada vez mais extensas, o que colaborou com o aumento de ocorrências de maior magnitude, além de que os riscos originados por essas ocorrências espalharam-se espacialmente (GONÇALVES, 1992 apud GUERRA e CUNHA, 2001).

Aliado ao aumento de registros e da população, outra fonte da maior ocorrência de desastres é a influência de mudanças climáticas.

As alterações do clima, como as causadas pelo aquecimento global, podem influenciar de forma significativa a incidência de eventos extremos, como tempestades. Nesse contexto, o aumento da temperatura, por exemplo, acarreta no derretimento de calotas polares, no aumento do nível do mar e consequente agravamento da erosão costeira.




Além disso, com o planeta esquentando e oceanos aquecendo, mais energia é transferida para a atmosfera, influenciando a intensidade de tempestades, as quais podem desencadear movimentos de massa e causar inundações com maior frequência.

Ao mesmo passo em que situações de secas, enchentes, climas “erráticos” e temperaturas extremas se agravam, o mesmo ocorre com desastres que vêm acompanhados com esses fenômenos (KELLER, 2011; RENNER e CHAFE, 2007).

Kobyiama et al. (2006) afirmam que o aumento do número de registros de eventos é devido ao aumento da população, à ocupação desordenada e ao processo intenso de urbanização e industrialização.

Entre os fatores que contribuem para desencadear os processos, os autores assinalam, para áreas urbanas, a impermeabilização do solo, o adensamento de construções, a conservação de calor e a poluição do ar.

Para áreas rurais, os autores relacionam a compactação de solos, o assoreamento de rios, os desmatamentos e as queimadas. Os autores relatam, ainda, o mau gerenciamento de bacias hidrográficas, a falta de planejamento urbano e o aquecimento global, o qual aumenta a intensidade e frequência de eventos extremos, como agentes que aumentam a incidência de desastres.





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